segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Apenas porque me ouviste é preciso que eu te mate

eu sou surdo!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O amor

Tema dos Temas. Ocupa tanto espaço na vida, nos apartamentos, nas ruas, nos escritórios, nos jornais, na política, na guerra, nas fábricas, na vitória, no fracasso, nas festas populares, nos jardins das praças públicas, nas escolas, nas casernas, e nos aviões que, se provassem estatisticamente que noventa por cento dos filmes são sobre o amor, ainda assim eu responderia que isso não basta. Um homem de sessenta anos e uma moça de quinze dão Lolita. Uma mulher de quarenta e um rapaz de vinte, Adolfo. Um rapaz e uma moça de dezesseis, Romeu e Julieta. Uma mulher entedia-se no campo, é Madame Bovary. Seu marido é um bruto: O Lírio do Vale. Ela é muito namoradeira, é A Duquesa de Langeais. Ela recebe dinheiro dos homens, é Nana. Seu marido está na guerra e ela se apaixona por um rapazinho: O Diabo no Corpo. Ela morre de maneira atroz: ainda Madame Bovary. Na vida, alguns homens se realizam, outros não. Alguns são mais belos, mais ricos ou mais inteligentes do que os outros. Os homens são iguais, claro, mas apenas diante de Deus! No amor, não existem pobres. Esse grande motor humano é, portanto, o nosso único denominador comum.

terça-feira, 12 de maio de 2009

cântico dos cânticos

– Quem me busca a esta hora tardia?
– Alguém que trenas de desejo.
– Sou teu vale, zéfiro, e aguardo
Teu hálito... A noite é tão fria!
– Meu hálito não, meu bafejo,
Meu calor, meu túrgido dardo.

– Quando por mais assegurada
Contra os golpes de Amor me tinha,
Eis que irrompes por mim deiscente...
– Cântico! Púrpura! Alvorada!
– Eis que me entras profundamente
Como um deus em sua morada!
– Como a espada em sua bainha.

como diria jack estripador... vamos por partes

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Não tem que me contar, seja o que for

   Poi
s      é.
Não tem. Excelentíssimo, tá na hora de acordar... tá na hora de pôr a caldeira pra esquentar, ir atráz do sonho burguês, achar um dedo pra apontar bem na cara de quem te rouba. Bora estudar é que é... Dia desses nada tinha pra saciar minha fome de home, que fiz? comi miojo. Claro que tudo isso não passa de conversa fiada, balela, muqueca, sa'comoé?

Na sensação de estar polindo as minhas unhas...


É              lá
  no          É   que
   Ar      tudo!      tudo
     que  ondeia           existe . . .
  
  
  

(...) E no Ar se cravam moldes de algarismos
  
  
  
      8 8
6.           4                   8
5. 7           1                 8
4.  7          4         0 0     8
3.   7  0         5 9 6  1          8 8
1.    2   1 3         1   5 5
                  1
                 1
  
  
  
  
  
............................................................................................
............................................................................................


Eia! Eia!
Singra o tropel das vibrações
Como nunca a esgotar-se em ritmos iriados!
Eu próprio sinto-me ir transmitido pelo ar, aos novelos!
Eia! Eia! Eia!...

(Como tudo é diferente
Irrealizado a gás:
De livres-pensadoras, as mesas fluídicas,
Diluídas,
São já como eu católicas, e são como eu monárquicas!...)


............................................................................................
............................................................................................



(...)Começam a vibrar
Toda a sensibilidade Tipográfica

Grosso normando das manchetes em sensação!
Itálico afilado das crónicas diárias!
Corpo 12 romano, instalado, burguês e confortável!
Góticos, cursivos, rondas, inglesas, capitais!
Tipo miudinho dos pequenos anúncios!
Meu elzevir de cunhas pederastas!...
E os ornamentos tipográficos, as vinhetas,
As grossas tarjas negras,
Os "puzzle" frívolos da pontuação,
Os asteriscos ---- e as aspas... os acentos...
Eh-lá!...
Hip-lá! nova simpatia onomatopaica,
Rescedente de beleza alfabética pura:
uu-um... kess-kress...vliiim...tlin...blong...flong...flak...
pâ-am-pam!...Pam...pam...pum...pum...

(...)Tudo isto, porém, tudo isto eu refiro ao Ar
Pois toda esta Beleza ondeia lá també,:
Números e letras, firmas e cartazes ----
Altos-relevos, ornamentação!...----
Palavras em liberdade, sons sem fio,
...
Corro então para a rua dos pinotes e aos gritos:

---- Hilá! Hilá! Hilá-hô! Eh! Eh!...
Tum...tum...tum... tum tum tum tum...

                  VLIIIMIIIIM...

      BRÁ-ÔH... BRÁ-ÔH... BRÁ-ÔH!....

FUTSCH! FUTSCH! ...


      ZING-TANG...ZING-TANG...
            TANG...TANG...TANG...


        PRÁ Á KK!...

excerto: M Sá-Carneiro; Manucure
imagem: salvador dalí; white calm

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Cuidado

>> aí. dai-me quaisszzquer dasz inúmerasszz opçõesz mas faz-me adormecer, nem penso em SONHOSSZZ. diz que sim... meu acto nem foi tão pecaminosszzo <<
Sigiloso, A-sentimentalizado.
Sabe, uma série interminável de alvos nem sempre é bom - pra mim, nunca - "Tá ótimo! Escolhe um", me gargalham... simples missão.
Tento
Aspiro
Quase Milumino
Tudo o que eu quero é...

segunda-feira, 6 de abril de 2009



Balofas carnes de
balofas tetas
caem aos montões
em duas mamas pretas
chocalhos velhos a
bater na pança
e a puta dança.

Flácidas bimbas sem
expressão nem graça
restos mortais de uma
cusada escassa
a quem do cu só lhe
ficou cagança
e a puta dança.

A ver se caça com
disfarce um chato
coça na cona e vai
rompendo o fato
até que o chato
de morder se cansa
e a puta dança.

Os calos velhos com
sapatos novos
fazem-na andar como
quem pisa ovos
pisando o par de cada
vez que avança
e a puta dança.

Julga-se virgem de
compridas tranças
mas se um cabrito
de cornadas mansas
abre a carteira e
generoso acode
a puta fode.


(António, the Botto)